segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

BT


Buenas!

Hoje contaremos um pouco do início da marca BT. Resolvi começar por ela, pois considero a mesma como a principal marca da raça crioula. Em qualquer cavalo crioulo que se olhe a genética há alguma apontando para a BT...

A história da Bastos Tellechea começa a mais de um século com a chegada de Domingos Tellechea em Uruguaiana no ano de 1865. Domingos era casado com Ramona Tellechea. Roberto e Flávio, irmãos de Ângelo e João Francisco, eram filhos de João Francisco Tellechea e netos de Domingos Tellechea.

Em 1962 surge a marca BT. É quando os irmãos Flavio e Roberto Bastos Tellechea começam a formar um plantel de cavalos crioulos buscando excelência funcional para o trabalho. Inicialmente, importaram éguas uruguaias de linhagem Pereira Brasil e outras matrizes do criador Mari Machado, junto com o garanhão Sorro Campeiro.

"Mesmo sem saber, estavam começando a maior revolução dentro da Raça Crioula.
Sorro Campeiro produziu filhos extremamente rústicos e funcionais. Mas é a partir da década de 70 que este sangue vai se lapidar e ganhar sua marca definitiva. Em 1971, uma parceria entre Luiz Martins Bastos, Flavio e Roberto Bastos Tellechea adquire o reprodutor chileno La Invernanda Aniversário, um cavalo que impressionava pela agilidade dos movimentos."¹

O criatório tinha até então genética tradicional, com animais de linhagem argentina, uruguaio-rio-grandense da família Martins e os Cinco Salsos. 

Era preciso então consolidar a marca e fazer o cavalo crioulo aparecer e se movimentar.

Em 1971, ocorreu então, uma das primeiras provas equestres, em Uruguaiana no CTG Sinuelo do Pago.

"Provas campeiras, com tiro de laço, fados, balizas, redomões. Reproduziam o trabalho nas estâncias, mas sobretudo traziam convívio, amizades e eram uma forma de avaliar a cavalhada. E lá estavam os cavalos BT, assim como em outra prova da época, a marcha de resistência.
Era o embrião do que viriam a ser depois as provas funcionais, um movimento que eclodiria nas exposições de Jaguarão. A primeira funcional ocorre em 1978. Os criadores de Jaguarão decidem então escolher alguém que tivesse conhecimento técnico, campeiro, cacife de liderança, fosse um formador de opinião e que estabelecesse as bases para o julgamento. A escolha recaiu em Flavio Bastos Tellechea. Ele julgou durante três anos consecutivos e, a partir daí, balizou parâmetros não só de julgamento, mas também de critérios de seleção integral dos cavalos crioulos, a equação entre morfologia e funcionalidade. Começou a observar que um determinado tipo morfológico de animal tinha mais aptidão funcional. Eram animais de pescoço e frente mais leves, de gargantas mais limpas, musculosos, de quartos profundos, com bastante potência, que tinham mais facilidade de empurrar a massa corporal e, sobretudo, com bons aprumos, que determinavam um melhor equilíbrio."²

Nessa época, surge o cavalo que revolucionou a raça crioula. La Invernada Hornero é adquirido em 1976 pelo criatório BT, numa parceria com o criador Dirceu Pons.


Hornero é o primeiro colocado no registro de mérito da ABCCC e possui também o maior número de descendentes campeões do Freio de Ouro e exposições morfológica. É considerado também, o mais importante reprodutor da raça crioula.

A marca BT consolida-se como referencial na raça crioula com o início do Freio de Ouro em 1982, onde desde então, 77% vencedores do Freio de Ouro e Ranking de Morfologia possuem genética BT.

A marca hoje divide-se em duas formas:
- Marca BT, de Flávio;
- Marca BT do Junco, de Roberto;

Não podemos imaginar a raça crioula hoje no nível de excelência e qualidade que ela possui sem pensarmos ou lembrarmos da marca BT.


Referências:
¹² http://www.cabanhapaineiras.com.br/crioulos.htm

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